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Doenças e Prevenção

Repercussões Psiquiátricas em Doenças Crônicas

Dra. Evelyn Kuczynski

O que é doença crônica?
Existem muitas doenças crônicas entre nós?
Qual a importância da doença crônica na atualidade?
Qual a repercussão da doença crônica na relação médico-paciente?
Por que falar em repercussões psiquiátricas?
Qual a importância desses quadros psiquiátricos nessa população?
Do ponto de vista psicológico, como avaliar pacientes portadores de uma gama tão grande de fatores de risco e, conseqüentemente, tão sujeitos a distúrbios nessa área?
As doenças crônicas e quadros psiquiátricos decorrentes também incidem na infância e na adolescência ?
Mas por que também as crianças?
E a família, como fica nessa situação?
Como avaliar uma criança ou adolescente submetido a essa gama tão variada de pressões?

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O que é doença crônica?

As doenças podem ter vários padrões de manifestação, acometimento e evolução. Doença crônica é toda aquela condição clínica cuja evolução se processa a longo prazo, com ou sem tratamento. As que não o são, denominamos de agudas ou sub-agudas. Assim, uma gripe banal é considerada uma doença aguda, visto que poucos dias transcorrem do início dos sintomas (febre, coriza etc.) até a resolução da infecção. Por outro lado, uma hipertensão arterial sistêmica (ou "pressão alta"), uma vez detectada, em geral vai acompanhar o indivíduo acometido por toda a sua vida, com necessidade de dieta, exercícios físicos, controle de peso e medicações específicas anti-hipertensivas, com o intuito de evitar ou minimizar complicações decorrentes da evolução da doença.

[sobe]

Existem muitas doenças crônicas entre nós?

Com certeza. Algumas doenças são caracterizadas como crônicas desde as primeiras descrições. É o caso da artrite reumatóide, um tipo de doença reumática que acomete as articulações do corpo ("juntas" dos dedos das mãos e pés, cotovelos, joelhos, pescoço etc.). As várias manifestações alérgicas, como asma, rinite, eczema, são outros bons exemplos.

No entanto, muitas das doenças que antigamente eram consideradas agudas e fatais passaram a apresentar uma evolução crônica, com o surgimento de novas opções terapêuticas. Assim aconteceu com o diabetes mellitus, a partir do advento da insulina e dos hipoglicemiantes de uso oral, e com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (ou AIDS), cujos portadores, antes irremediavelmente fadados à morte prematura, têm hoje uma melhoria das condições de vida, com bom desempenho social e profissional. Até o câncer (em suas várias manifestações) é considerado hoje uma doença crônica, tendo em vista o maior percentual de cura de muitos tipos, e a possibilidade de tratamentos que prolongam a sobrevida dos indivíduos acometidos.

Há também os indivíduos que apresentam seqüelas e evolução crônica em função de algum evento médico, como um acidente automobilístico com trauma medular, um infarto do miocárdio, mais conhecido como ataque cardíaco, ou um acidente vascular cerebral, o famoso "derrame" etc., e que passam a apresentar sintomas ou problemas clínicos a partir deste evento, sem sinais prévios.

[sobe]

Qual a importância da doença crônica na atualidade?

Somos seres cada vez mais sedentários, submetidos a uma dieta excessivamente calórica e gordurosa, além de freqüentemente expostos a substâncias alergênicas e tóxicas, seja a partir da poluição atmosférica, seja a partir do que ingerimos. Qualquer um de nós está sujeito a desenvolver uma doença crônica, seja ela hipertensão arterial, obesidade, hipercolesterolemia, diabetes, asma, ou qualquer outra alergia. Pior que isso, transmitimos a nossos filhos a hereditariedade dessas enfermidades.

A possibilidade de termos entre nós portadores de doenças crônicas cresce em progressão vertiginosa. Isso pode ocorrer, seja pelo aumento da expectativa de vida da população e a conseqüente maior freqüência de doenças crônicas na chamada "terceira idade", seja pela introdução de melhorias no tratamento, em função de avanços nas pesquisas.

As melhorias na qualidade do atendimento à gestante e ao recém-nascido aumentaram proporcionalmente as chances de sobrevivência dos produtos das chamadas "gestações de alto risco" (associadas ao diabetes, à pressão alta, gêmeos, prematuridade), o que nem sempre garante uma evolução plenamente saudável do bebê. Alguns autores inclusive afirmavam na década de 80 que, na virada do ano 2000, um em cada 1000 adultos entre 20 e 29 anos seria um sobrevivente a longo prazo do câncer na infância!

[sobe]

Qual a repercussão da doença crônica na relação médico-paciente?

Cada vez mais o médico, que antes era treinado para salvar vidas com sucesso, passa a conviver por longos anos com pacientes portadores de quadros que comprometem seu desempenho e demandam cuidados constantes, nem sempre com resultados considerados satisfatórios (pelo médico e/ou pelo paciente).

Ainda é muito comum que, nas Faculdades de Medicina, os estudantes não recebam nem formação, nem informação para aprender a lidar com essa nova realidade e suas dificuldades. O fato de que a maioria dessas condições crônicas não possibilitam ao paciente a segurança de uma cura, mas a presença constante de algum sintoma (geralmente incapacitante) ou de efeitos colaterais decorrentes do uso de medicações a longo prazo, gera muita frustração, que acaba resultando em problemas no relacionamento entre paciente e médico. É freqüente que tais doentes crônicos passem longos anos fazendo verdadeiros "rodízios" entre especialistas, buscando alguma solução miraculosa para seus males, ou desenvolvam muita "raiva" do profissional que o atende, projetando sobre a sua suposta "incompetência profissional" ou "descaso" a causa do "fracasso" de seu tratamento.

[sobe]

Por que falar em repercussões psiquiátricas?

Ao avaliar populações portadoras de doenças crônicas variadas, diversos autores percebem que é mais freqüente a presença de quadros psiquiátricos em tais grupos, quando comparados à população em geral. Os problemas mais freqüentemente descritos são quadros depressivos, ansiosos, ou sintomas psiquiátricos variados (como insônia, inapetência, desânimo, delírios e alucinações, prejuízo cognitivo), muitas vezes secundários à própria doença ou decorrentes dos efeitos colaterais de tratamentos instituídos.

[sobe]

Qual a importância desses quadros psiquiátricos nessa população?

Isso compromete mais ainda o tratamento desses pacientes, e demanda um diagnóstico precoce e terapêutica imediata, sob risco de piorar tanto a evolução do quadro de base, quanto a qualidade de vida desse indivíduo.

Assim, um indivíduo acometido por artrite reumatóide, que desenvolva um quadro depressivo, mesmo que obtendo melhora com o tratamento de sua doença, não vai melhorar seu desempenho se mantiver o desânimo, apatia, pessimismo e irritabilidade característicos do quadro depressivo, e provavelmente nem vai dar valor à melhora obtida.

Também o infartado, cuja cirurgia de ponte safena devolve um desempenho físico satisfatório, não vai retomar suas atividades caso não se trate de uma Síndrome do Pânico que porventura tenha se desenvolvido à época da cirurgia, ele vai se manter restrito ao domicílio, com receio de um novo ataque cardíaco, de passar mal na rua, de não ser adequadamente socorrido etc.

[sobe]

Do ponto de vista psicológico, como avaliar pacientes portadores de uma gama tão grande de fatores de risco e, conseqüentemente, tão sujeitos a distúrbios nessa área?

Seguindo as influências provenientes de outras áreas do conhecimento humano, principalmente da Filosofia e da Ética, o que se tem preconizado, atualmente, é proporcionar qualidade de vida. Portanto, deve-se avaliar a qualidade de vida que esses doentes reconhecem em sua existência, ou seja, o grau de satisfação pessoal e a sensação de bem-estar que se obtêm deste ou daquele determinado tratamento.

Por exemplo, um diabético pode preferir o uso de uma medicação com a qual não tenha que se submeter a tantas "picadas" diárias para controlar seu nível de glicose no sangue . Ou uma portadora de câncer de mama, que pode preferir uma cirurgia que seja mais conservadora e apresente um melhor resultado estético. Ou ainda, no limite do que os médicos considerariam aceitável dentro de sua "febre curativa", aquele paciente que se descobre portador de uma doença grave pode recusar a se submeter a tratamentos sobre os quais esteja devidamente informado de que não serão capazes de curá-lo ou prolongar sua vida com qualidade, além de incorrer em riscos de efeitos colaterais indesejáveis.

Do ponto de vista psicológico, é essa proposta que deve guiar um esquema de tratamento: a busca da melhor qualidade de vida possível para aquele determinado doente naquele determinado contexto. Cabe a nós, profissionais de saúde, proporcioná-la.

[sobe]

As doenças crônicas e quadros psiquiátricos decorrentes também incidem na infância e na adolescência ?

Apesar da maior freqüência, do ponto de vista meramente estatístico, de doenças de evolução aguda nessa faixa etária, como as pneumonias e diarréias agudas, as doenças crônicas também ocorrem, e pelos mesmos motivos que mencionamos anteriormente com relação ao adulto: melhora da evolução de doenças antes fatais, graças às pesquisas e aos avanços terapêuticos; maior taxa de sobrevivência de bebês frutos de gestações de risco (muitas vezes não sem seqüelas); resultados de acidentes etc.

Há muitos estudos relatando a presença de quadros psiquiátricos (em maior proporção que na população em geral) entre jovens portadores de doenças tão pouco relacionadas como o diabetes juvenil, a asma e a leucemia aguda, assim como nos adultos.

[sobe]

Mas por que também as crianças?

Devemos sempre nos lembrar do fato de que a criança e o adolescente são seres ainda em desenvolvimento, quando comparados aos adultos. Qualquer doença que incida nessa época pode ser mais deletéria, por seu poder de prejudicar o desenvolvimento esperado para aquele determinado indivíduo.

Além disso, um adolescente, que se veja limitado por uma doença crônica qualquer, terá provavelmente mais obstáculos a vencer rumo a seus objetivos e aspirações pessoais; isso quando não se sentir tão desestimulado que chegue a desistir.

Não podemos nos esquecer de que é freqüente o adolescente idealizar muito a sua vida adulta e ter dificuldades em perceber que sempre, independente da sua saúde, problemas virão ao longo de sua existência, como para todo mundo.

[sobe]

E a família, como fica nessa situação?

Devemos ressaltar que a família, enquanto base da estruturação desse indivíduo em formação, muitas vezes se sente sobrecarregada pelo ônus que a doença acarreta, e também desiste de seus sonhos para esse filho, com uma visão pessimista de futuro, que dificilmente não contaminará sua relação com o paciente, proporcionando a sensação de que ele não passa de um "peso morto" a ser suportado. Isso prejudica (e muito) a auto-imagem que esse paciente constituirá a respeito de si próprio, gerando um círculo vicioso de luto pela perda dos sonhos e amargura pela rejeição velada (ou não).

Além disso, há que se lembrar que todo cuidador* está fortemente sujeito a quadros depressivos em função do grande estresse a que é submetido em sua rotina diária e à raridade (muitas vezes ausência) de momentos de lazer em meio à essa rotina, com a conseqüente maior sobrecarga pessoal e pior qualidade do atendimento a esse indivíduo dependente de outrem, em algum grau.

* Termo utilizado para designar os profissionais ou familiares intimamente envolvidos com o paciente que necessita de cuidados constantes, muitas vezes demandando dedicação integral desta pessoa.

[sobe]

Como avaliar uma criança ou adolescente submetido a essa gama tão variada de pressões?

É difícil responder. O que se sabe hoje é que muitos sintomas de ordem psicológica que seriam "patológicos" caso surgissem numa criança sadia são, na verdade, mecanismos de adaptação dessa criança adoentada a essa nova realidade.

Por outro lado, a maioria dos estudos parte da informação dos pais e/ou cuidadores, o que, como já discutimos anteriormente, não é uma avaliação isenta de viéses. Assim, temos entendido que, cada vez mais, torna-se necessário desenvolver métodos de avaliação que permitam a expressão do próprio paciente, na medida em que ele seja capaz de compreender e se expressar adequadamente, a partir de questionários adaptados para sua faixa etária, grau de desenvolvimento, vocabulário, contexto cultural etc.

E é claro, assim como no adulto, o que se deve privilegiar é a obtenção da impressão do próprio paciente pediátrico a respeito da qualidade de vida que se obtém a partir de um determinado tratamento instituído. É importante percebermos as limitações que nós, adultos, sofremos ao tentar compreender o universo da criança e do adolescente, imaginando situações ideais que muitas vezes em nada correspondem aos ideais dos mesmos. Desconsiderar essa particularidade é proibir o Outro de ser Ele mesmo em toda a sua plenitude, e feliz com a sua própria vida.

Bibliografia

Temas relacionados:

Artrite Reumatóide Juvenil por Dra. Maria Odete Esteves Hilário

Hipertensão Arterial por Dr. Celso Ferreira

Obesidade por Dr. Alfredo Halpern.

Sedentarismo por Dr. Turíbio Leite Barros Neto.

Psiquiatria da Infância e da Adolescência por Prof. Dr. Francisco B. Assumpção Jr.


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